A Singularidade da Criação

Big Bang ExplosionCaros leitores, seres capazes e inteligentes, olá mais uma vez!

Como eu já tinha dito no post Tudo num lugar só! hoje eu vou explicar porque o modelo padrão da origem do universo, mais conhecido como a Teoria do Big Bang (do inglês grande explosão), não deve ser visto como um demônio (por favor, entenda a figura de linguagem aqui –‘) que quer desacreditar o relato bíblico da criação e, em consequência, afogar o Cristianismo.

Meu objetivo aqui não é esgotar o assunto, mesmo porque isso seria impossível numa mísera página de blog como esta. Há milhares de livros e artigos sobre o assunto que já fizeram isso por mim (Thank God!). Tampouco irei falar de todas as provas empíricas e filosóficas envolvidas no assunto, o que a sua racionalidade será capaz de entender, tenho certeza disso.

Chega de embromation e vamos direto ao assunto:

O Universo começou a existir

A afirmação acima pode parecer tão óbvia para alguns e tão absurda para outros. O modelo de um universo eterno e imutável foi um pensamento muito aceito pelos astrônomos por anos. Mas a astrofísica foi forçada a concluir que isso não era verdade por causa de um camarada, que você já deve ter ouvido falar (espero!), chamado Albert Einstein. Vejamos:

1) A recém descoberta de Einstein na época, a conhecida Teoria Geral da Relatividade (TGR), não era compatível com uma realidade de universo eterno e estático, a menos que se manipulassem as equações para haver uma compensação de efeitos gravitacionais da matéria;

2) Nisso, em trabalhos independentes, o matemático russo Alexander Friedman e o astrônomo belga Georges Lemaître formularam soluções para as equações da TGR e previram a existência de um universo em expansão;

3) Em 1929, o astrônomo americano Edwin Hubble mostrou que a luz das galáxias distantes se deslocava sistematicamente em direção à extremidade vermelha do espectro luminoso (efeito Doppler). Em outras palavras, ele descobriu ser real e cientificamente aceitável a expansão do universo;

4) Pensando numa série de eventos no tempo contínuo, concluiu-se que o universo está cada vez maior com o passar dos anos por causa dessa expansão. Disso resulta algo surpreendente: se revertemos a expansão (ou a marcha no tempo), olhando cada vez mais para o passado, enxergaremos um universo cada vez menor, em contração, até que chegaremos num estado de densidade infinita em algum ponto do passado finito.

A Singularidade cosmológica inicial

Esse “ponto” seria uma beira ou fronteira do espaço-tempo. É o que chamamos de singularidade cosmológica inicial. Veja na figura abaixo:

Representação cônica do modelo padrão do espaço-tempo. O espaço e o tempo começam na singularidade cosmológica inicial, antes do que não existia absolutamente NADA.
Representação cônica do modelo padrão do espaço-tempo. O espaço e o tempo começam na singularidade cosmológica inicial, antes do que não existia absolutamente NADA.

Essa singularidade traz uma série de implicações interessantes pra nós:

1) Se o espaço e o tempo começam a existir nessa singularidade então não poderia haver nada “antes” dela. Pensar nisso é tão absurdo como se perguntar “Onde fica o norte no pólo norte?”. Não existe um antes do Big Bang: se não há matéria, não há espaço ou tempo;

2) Se o universo teve origem em tal singularidade então teríamos uma criação ex nihilo (do latim – do nada); É aquela idéia de tudo num lugar só: toda matéria na forma de energia do universo estaria concentrada num ponto de dimensões nulas, uma vez que não há espaço ou tempo;

3) A segunda implicação leva a uma perturbadora conclusão: do nada, nada pode vir. Então por que o universo passou a existir? Por que há alguma coisa ao invés de nada? Como disse Sir Arthur Eddington: “O começo parece apresentar dificuldades insuperáveis, a menos que nos disponhamos a interpretá-lo como algo decididamente sobrenatural.” Em suma, a explicação para esse start do Big Bang não pode vir de nenhuma explicação física. É preciso transcender a isso.

Outros modelos

Por causa dessa conclusão, é verdade que não há ponto nenhum anterior ao espaço-tempo; ou é falso que algo pudesse ter existido antes da singularidade. Revoltados com as alternativas de cunho fortemente metafísico propostas pelo começo absoluto do universo, vários teóricos têm buscado alternativas para subverter o modelo padrão, a fim de escapar dessa singularidade. Eu não vou falar dos modelos. Como eu falei, esse post é sobre o Big Bang, mas para o leitor interessado, procure sobre: modelo de estado estacionário; modelos oscilantes; modelos de flutuação no vácuo; modelo inflacionário caótico; modelos de gravidade quântica; cenário de cordas.

Tudo o que começa a existir tem uma causa

Pois é pessoal, essa frase nos parece ser bem óbvia, certo. Deixo você refletindo um pouco nela…

Voltando ao assunto da origem do universo explicada pelo modelo padrão (Big Bang) note que a explicação para a sua causa, ou seja, o motivo para aquela singularidade ter existido deve:

1) Transcender ao tempo. Vimos que não existe um conceito de antes da singularidade, pois se tudo começou ali, tal foram o espaço e o tempo;

2) Não pode ser físico e nem material (energia ou massa), pois se algo assim já existisse então a singularidade não seria o começo de tudo, tampouco o tempo e espaço (note que o espaço-tempo está atrelado à existência de matéria e energia);

3) Há somente duas espécie de coisas que se encaixam nessa descrição: um objeto abstrato (um número, por exemplo) ou uma mente (uma alma, um eu). Uma vez que objetos abstratos não se prestam a relações causais então só nos resta uma candidata à causa do universo: uma Mente transcendente, incorpórea e, portanto, não causada (transcende o tempo, não tem começo, imutável). Se pensarmos um pouco mais, tal mente deveria ser inimaginavelmente poderosa e ilimitada. Conforme disse Tomás de Aquino, é o que todos têm em mente quando dizem “Deus“.

E a Bíblia?

Sinceramente não vejo tais conclusões entrarem em conflito com a Palavra de Deus. Separei alguns versículos pra vocês:

1) “No princípio criou Deus o céu e a terra” (Gênesis 1:1) – Um relato no tempo apontando para um início de todas as coisas. OK!

2) “Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” (João 4:24) – Ser não material. OK!

3) “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:1-3) – Um ser não material (verbo) já estava lá antes de todas as coisas e criou todas as coisas. OK!

4) “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento.” (Isaías 40:28) – Um ser eterno, de sabedoria inigualável e inalcançável, poderoso e incorpóreo, pois não se cansa, é o Criador. OK!

Enfim, há ainda diversas passagens! Pegue uma Bíblia aí e leia. Medite. Se o Big Bang foi real então mais ainda é Deus e Sua revelação! Aguardem mais posts sobre o assunto!

Bibliografia consultada:

CRAIG, William Lane. Apologética Contemporânea – A Veracidade da Fé Cristã. 2 ed. São Paulo: Editora Vida Nova, 2012. 400 p.

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